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February 22, 2017

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Limites na Educação dos Filhos. Qual o Limite dos Limites?

February 20, 2017

Um dos temas polêmicos na atualidade está relacionado à forma com que os pais colocam os limites em relação aos seus filhos.

 

Uma família ajuda uma criança a desenvolver papéis saudáveis na medida em que mantém boas interações, e os limites são estabelecidos de maneira clara e objetiva.

Os conhecimentos dos limites pelos filhos são necessários em qualquer fase do desenvolvimento, precisam ser razoáveis e adequados e ter uma finalidade pré-estabelecida. Estes só podem ser transmitidos a uma criança se os próprios pais o possuírem. Quando isto acontece, a criança é ajudada a desistir das polaridades relativas à impotência/onipotência, e aprende a negociar.

Minuchin (2003) diz que: “... a família é um grupo natural que através dos tempos tem desenvolvido padrões de interação. Estes padrões constituem a estrutura familiar, que por sua vez governa o funcionamento dos membros da família, delineando sua gama de comportamento e facilitando sua interação.” (Minuchin&Fishmann, 2003. p. 21)

Os componentes da família interagem dentro da estrutura familiar como uma unidade que interage com as outras. Desta forma podem interferir no comportamento do outro e ter a consciência que os outros interferem no seu. Nesta interação o indivíduo percebe que os territórios são demarcados, e que transgredi-los pode gerar conseqüências que são capazes de desenvolvem os mais diversos sentimentos, tais como: ansiedade, culpa, raiva. Os próprios membros da família conhecem de alguma forma, a demarcação do seu território. Segundo Minuchin “...cada membro da família sabe o que é permitido, as forças que se opõem aos desvios, natureza e eficiência do sistema de controle”. (Idem, p. 22)

O sistema parental tem como função principal educar os filhos e socializá-los, embora existam outras características do mesmo que se refere ao desenvolvimento da criança e que são afetados diretamente pelas interações promovidas pelo subsistema. Dentro da família a criança desenvolve a capacidade de discernir a questão da autoridade avaliando o quanto é racional ou arbitrária. Começa a entender em quais momentos é apoiada, de acordo com as respostas de comportamentos de seus pais, e começa a entender as formas com que sua família lida com o conflito e a negociação.

Com o desenvolvimento e amadurecimento da criança, suas necessidades mudam e o subsistema parental sente o reflexo disto e também provoca mudanças. Nas famílias com filhos adolescentes é muito normal que haja negociações bem maiores do que nas famílias com filhos pequenos. Segundo Minuchin, os pais que têm filhos maiores terão que lhes conceder mais autoridade ao mesmo tempo em que lhes pedem mais responsabilidade.

Podemos refletir acerca de outras questões interessantes quando se coloca o tema “limites” dentro do processo de educação, e no desenvolvimento da criança. É importante pensar nos limites enquanto fronteiras para atender os desejos ou necessidades dos filhos, e também, nos limites enquanto obstáculos a serem transpostos pelos filhos em direção à maturidade.

De acordo com La Taille (2000), psicólogo atuante na área da Psicologia da Educação da USP/SP, e pesquisador deste tema desde a década de 80, o processo de educação atual nos mostra um quadro que vai desde a observação de problemas que envolvem a moralidade humana e circunda pelo universo da violência chegando até a ausência de limites, onde tudo isto engloba questões como autoridade e disciplina.

O quadro social hoje apresenta queixas relacionadas aos jovens que estão direcionadas à violência, desrespeito aos espaços públicos, comportamentos anti-sociais, vandalismo, egoísmo, entre outros. Mas, isto acarreta um questionamento em torno dos valores que estão sendo passados para esta juventude, primeiro no âmbito familiar, e posteriormente, na Escola. Se iniciarmos uma análise deste quadro, poderíamos questionar se isto é uma ausência de valores ou falta de regras pré-estabelecidas. 

La Taille diz que é importante: “...trabalhar a moral com as novas gerações, ajudar as crianças a construir valores, a pautar seus comportamentos por regras, a situar-se além e aquém de certos limites.” (La Taille, 2000. p. 9)

O mesmo autor privilegia a questão dos limites sinalizando três dimensões educacionais a serem avaliadas: a primeira dimensão está ligada a transpor limites, onde os mesmos podem remeter a idéia do que pode ou não ser transposto; a segunda relacionada a respeitar os limites, evidenciando aquilo que é permitido e o que é proibido; e a terceira que está direcionada a impor limites direcionados à preservação pessoal de intimidade e segredo.

Dentro do embasamento teórico descrito por La Taille pode-se observar que a primeira dimensão estudada pelo mesmo associa que limites: “...nos remete a idéia de fronteira, de linha que separa dois territórios. Se existe um limite, há pelo menos dois continentes, concretos ou abstratos, separados por essa fronteira” (La Taille, 2000. p. 12)
La Taille exemplifica esta idéia quando mostra que muitas vezes a criança extrapola os limites em busca do crescimento: “....educar uma criança, longe de ser apenas impor-lhes limites, é, antes de mais nada, ajudá-la cognitiva e emocionalmente a transpô-los, ir além deles.” (La Taille, 2000. p. 15)

A segunda dimensão evidenciada por La Taille, respeitar os limites: entre o permitido e o proibido, nos remete a idéia de que a fronteira não deve ser transposta e a demarcação de um domínio não deve ser invadido. 
Pode-se observar que se colocarmos a questão dos limites como fronteiras a serem transpostas, quer no sentido da maturidade, quer no sentido da excelência, de modo geral, as crianças e adolescentes de hoje poderão sentir-se sufocados por tantos limites. Muitas vezes são desencorajados, pelo medo dos pais, a sair em busca de autonomia.

A idéia dos limites também está associada à liberdade, que circunda os limites físicos e normativos. Em relação aos limites físicos aparentemente são mais aceitáveis pelo homem. Um exemplo disto é que poder voar está fora do alcance do homem, portanto, ele aceita isto sem muitas objeções. Em contrapartida, os limites normativos acompanham o homem desde o momento que nasce. Segundo La Taille, os limites físicos colocam a dimensão do impossível, enquanto que os limites normativos colocam a dimensão do proibido, onde a liberdade é restrita em nome dos valores.

A terceira dimensão desta pesquisa está ligada à imposição de limites, voltada para a intimidade e segredo. Nesta, o autor questiona o quanto somos invadidos em nossa vida, e até que ponto diante desta extensão e profundidade que somos observados os limites são extrapolados, justamente aqueles limites fundamentais para preservar a privacidade e intimidade. Destaca vários aspectos que favorecem esta invasão da privacidade, a começar pelas portas abertas pela própria pessoa até se defrontar com a tecnologia que reforça esta exposição. Este interesse pela intimidade das pessoas é um fenômeno que acontece na sociedade, e pode representar um fortalecimento do ideal de liberdade, onde cada pessoa tem direito de estar com quem quiser e falar o que quer. Para manter isto e se proteger da invasão dos limites, o ser humano precisa colocar limites e desenvolver uma fronteira da intimidade, que ele próprio terá sob controle. 
Uma outra visão abordada no momento em relação aos limites pode ser observada no trabalho desenvolvido por Gottman (1997), que faz uma conexão entre as tipologias parentais e o comportamento dos pais junto aos filhos.

Segundo Gottman, pesquisador norte-americano, que desenvolveu uma ampla pesquisa sobre o tema: “Desavenças conjugais, educação de filhos e desenvolvimento emocional da criança.”, diz que: “... para se educar bem um filho, o intelecto só não basta. Para se educar bem um filho, é preciso mexer com uma dimensão da personalidade que vem sendo ignorada na maioria dos conselhos dados aos pais nos últimos trinta anos. É preciso mexer com a emoção.” (Gottman, 1997. p. 20)

Gottman chama os pais que se envolvem com o sentimento dos filhos de preparadores emocionais. E especifica alguns comportamentos que estes precisam desenvolver para serem bons preparadores, assim como um técnico prepara os atletas para uma competição. Segundo ele, os pais preparadores emocionais “...ensinam aos filhos estratégias para lidar com os altos e baixos da vida. Não se opõem às manifestações de raiva, tristeza ou medo dos filhos. Nem as ignoram. Ao contrário, aceitam as emoções negativas como coisas que parte da vida e aproveitam os momentos de exaltação emocional para ensinar aos filhos importantes lições de vida e construir um relacionamento mais íntimo com eles.” (Gottman, 1997. p.21)

O autor enfatiza que nos dias de hoje não basta os pais educarem bem os filhos, possibilitando uma boa formação escolar e princípios éticos,mas precisam preocupar-se também com situações relacionadas à sobrevivência e as situações ligadas ao movimento social que os mesmos estão inseridos,tais como: violência, drogas,entre outros.

Na pesquisa de Gottman, a parte do processo de preparação emocional nas interações dos pais junto aos filhos acontece em cinco etapas:

 

 

1.     Percebem as emoções da criança.

2.     Reconhecem na emoção uma oportunidade de intimidade ou aprendizado.

3.     Ouvem com empatia.

4.     Ajudam a criança a encontrar as palavras para identificar a emoção que ela está sentindo.

5.     Impõem limites ao mesmo tempo em que exploram estratégias para a solução do problema em questão.

(Gottman, 1997. p. 24).


Muitos pais acham que colocar limites é uma questão de opção, mas não sabem que, em relação a isso, acontece uma progressão de problemas que derivam da falta de limites. Quando os mesmos trabalham adequadamente nesse sentido e, a cada oportunidade que surge, estabelecem limites, isto é, concordam e incentivam as atitudes positivas e criticam as atitudes negativas, com o passar do tempo ajudam a criança a aprender as regras básicas da convivência e a iniciar, de forma sólida, o processo de sociabilização, ou seja, prontidão para viver. Quando os pais se sentem inseguros, cheios de culpa, com medo de ser antiquados ou autoritários, deixam de exercer essa atividade importante, e a tendência é que a criança comece a apresentar dificuldades em aceitar qualquer tipo de limite a seus desejos.

Os aspectos mais importantes no desenvolvimento são a informação e a formação moral do indivíduo. A informação habitualmente pode ser dada pela Escola, pelos meios de comunicação, pela Internet, por meio de livros interativos, pelas bibliotecas, pelos programas educativos na TV. A formação é um capítulo à parte, porque está provavelmente ligada à forma como a informação poderá ser utilizada positivamente. A formação pode ser dada por meio de exemplos, da sabedoria, do ouvir e permitir-se falar, orientar sem julgamento e comparações.

Os limites estabelecidos pelos pais podem ajudar as crianças a aprender como viver melhor, ao mesmo tempo em que demonstra o seu amor e preocupação. À medida que vão crescendo e se desenvolvendo, as crianças exploram diferentes formas de comportamento. Em geral, elas fazem isso para desenvolver a personalidade e aprender o que é aceitável; porém, nem tudo o que uma criança experimenta é certo ou aceitável. 
Phillips (2000), psicóloga inglesa que trabalha na área infantil, diz que “...um outro importante aspecto dos limites é que eles ajudam a pessoa a desenvolver seus próprios recursos”. (Phillips, 2000. p. 91)

As regras e limites que os pais estabelecem precisam ser considerados importantes, tanto pelos pais, quanto pelas crianças. Ao aplicá-las, os pais ensinam às crianças lições importantes, como: fazer as tarefas necessárias e distinguir o certo e o errado. Se estabelecerem e controlarem as regras com justiça e consideração, elas poderão tornar-se diretrizes e ajudarão as crianças a alcançar autodisciplina.

É muito importante o casal aprender a fazer negociações com os filhos; porém, é mais importante ainda que fiquem atentos ao fato destas negociações poderem afetar os valores do casal e o que está relacionado ao que eles querem passar aos filhos. 

A razão mais simples para a dupla de pais serem incoerentes é o fato de terem pontos de vista diferentes. Neste sentido, é essencial que o casal chegue a um consenso sobre como será feita a orientação dos filhos, utilizando uma postura única, para que eles não sintam ou percebam a fragilidade da relação, no que se refere à educação. O casal pode procurar orientação, quando sentir que existe um choque muito grande entre as opiniões ou formas de educação que querem dar aos seus filhos, independentemente dos motivos pelos quais isso esteja acontecendo.

Os pais começam a ensinar as crianças que os direitos são iguais para todos e que existem outras pessoas no mundo. Assim, elas têm condições de respeitar os direitos do outro. Podem também lhes ensinar a tolerar pequenas frustrações no presente, para que, no futuro, sejam capazes de superar qualquer tipo de decepção. 
Macedo (2003) diz que: “... quanto mais claras, explícitas forem as regras, tanto mais fácil a educação das crianças e as relações intra e extra-sistema. Ocorre porém que tais regras se baseiam em crenças, valores, adquiridos em grande parte na família de origem dos pais, e permeiam as relações cotidianas quer através de ordens expressas, ou sendo adquiridas através de negociações diárias.” ( In Oliveira, 2003. p. 189)

A questão dos limites na educação dos filhos está além do foco de atender ou não o desejo da criança ou do adolescente, abrange uma área muito mais ampla que vai desde a relação com o desejo e a necessidade dos mesmos, adentrando uma outra dimensão que se estende até os limites do respeito e da invasão de privacidade. 
É muito importante ressaltar que, quando os pais se sentem confortáveis para educar, ou seja, têm seus próprios limites pré-estabelecidos, poderão conseguir de forma mais eficaz colocar limites junto a seus filhos. 



Bibliografia

Minuchin, S. Fishman. H. C. 1990. Técnicas de Terapia Familiar. Trad. Claudine Kin, Maria Efigênia F. R. Maia. Artes Médicas. Porto Alegre. 
Minuchin, S. 1982. Famílias. Funcionamento e tratamento. Trad. Jurema Alcides Cunha. Editora Artes Médicas. Porto Alegre. 
La Taille, Y. 2000. Limites: Três dimensões educacionais. Editora Ática. São Paulo. 

Gottman, J. 1997. Inteligência Emocional e a arte de educar os filhos. Editora Objetiva. Rio de Janeiro. 
Phillips, A 2000. Dizer Não. Impor limites é importante para seus filhos. Editora Campus, Rio de Janeiro. 
Macedo, L. 2003. Pós-graduação Psicologia da Educação, USP. 2003. 
Macedo, R. M. As famílias diante das dificuldades escolares dos filhos. In Oliveira, V. B.; Bossa, N. A. 1998. Avaliação psicopedagógica do Adolescente. Editora Vozes 7ª edição. Petrópolis.

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